
Como se não bastasse o encontro indesejado, o supermercado não tinha nenhuma saída de emergência perto da seção de produtos de limpeza, a mais próxima ficava a cinco minutos dali e ainda sim se ela corresse sem olhar pra trás , fingindo que só o supermercado pegava fogo.
Respirou fundo, pegou o celular como se precisasse mesmo ligar pra alguém e olhou os nomes da agenda, não tinha ninguém alí pra quem ela precisasse fazer uma fofoca sequer; Fingiu que via o horário ignorando completamente o fato de ter um relógio no pulso.
Foi no tempo de guardar o celular bolsa e empurrar o carrinho fingindo procurar um desinfetante mais cheiroso que ele se aproximou.
- Oi. Como você tá ?
- Estou bem, fazendo as compras do mês como sempre.
- Imaginei, ainda prefere eucalipto do que lavanda ?
- É ! Ainda...
- Ficou bom o cabelo, nem parece a mesma... ainda prefiro mais comprido, mas ficou mesmo bem legal.
- É ficou... E você?
- Ah...vim comprar algumas coisas pra minha mãe, desde que eu voltei sou obrigado a fazer dessas coisas.
-Humm, fingiu desinteresse mesmo querendo matar ele, e tentando lembrar quando ele sequer comprou um desinfetante pra ela.
- Posso te acompanhar, assim vamos colocando a conversa em dia...
- Quer saber não pode não, me dá licença que eu tenho mais o que fazer do que colocar o "papo em dia " com um canalha que nunca comprou um desinfetante pra mim.
- Passar bem.
Deixou tudo lá, meteu a mão na bolsa e saiu sem procurar a saída de emergência.
E jurou que lá, ela nunca mais faria compras.
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