Acordei atrasada de novo, com o barulho da chuva e levantei sem saber o que fazer primeiro.
Queria deitar de novo ficar lá com a cabeça no travesseiro virando de um lado para o outro tentando fugir dos pensamentos que costumam me acordar ás cinco da manhã implorando por um cigarro.
Não tinha jeito, tinha que levantar então me arrastei para o banheiro e mesmo atrasada não me preocupei em ser rápida no banho, e nem com a velocidade do café, do cigarro ou da roupa.
Fui assim, ainda de mau- humor resolver os problemas de todo dia pensando o que ia acontecer na hora do almoço para me animar em relação a vida.
Com a chuva que caia nada mais poderia acontecer senão uma queda de energia, longa o bastante para que tudo acabasse por ali mesmo. Mal tinha começado a trabalhar e já tinha que voltar pra casa e pensei "ainda bem".
Nada funcionava, celulares fora de área, computadores queimados e chuva o suficiente para transformar a minha volta pra casa em algo tumultuado e cansativo.
Ignorando completamente o mundo que "acabava", acendi um cigarro e saí andando até a água tomar conta do meu sapato e deixar o trajeto ainda mais longo.
Mas era isso ou nada. Era isso ou ônibus com as pessoas respirando o mesmo ar e compartilhando a mesma revolta. Melhor então que fosse assim, não queria compartilhar minha revolta pessoal com ninguém só pra manter o sapato seco.
Finalmente cheguei em casa e tive a impressão que tudo tomava seu devido lugar, a escuridão, o sono, a lentidão das coisas...tudo agora tinha sentido, tinha destino e o meu era minha cama, minhas angustias, minha xícara de café amanhecido...
Tudo era suficiente e vinha na hora certa, a chuva para lavar a alma e o café pra acolher, o cigarro pra pensar no vazio que tinha naquela casa.
E por mais dolorido que fosse tive que encarar a realidade, era melhor assim.
Nathalia Lazari
22/12/2010 - 17:24 hrs
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