sábado, 3 de setembro de 2011

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
Clarice Lispector

 


De tantos sentimentos guardados eu só sabia que eles eram doloridos...sabia que por mais que eu tentasse eles se calavam por si só. Eu tentei gritar, tentei tanto que até perdi a voz mas não tinha como sair, não da maneira que alguém entendesse.
Eu só entendi que quando choro no banho pra ninguém ver é porque realmente estou mal, mas eu sabia e notava pelos olhos pequenos que ele também havia chorado no banho, mas ele não sabia de mim.
Não sabia que eu ainda amava a presença dele, não sabia quanto sentimento ficou guardado esperando um olhar dele de aprovação, nem sequer imaginava que eu sentia falta do chamego pra dormir. Depois daquele dia que eu gritei, ele não pôde mais entender os meus chamados, porque ele também tinha se perdido nas coisas dele, do que ele achava que valia a pena. E me disse “não é legal acreditar que está tudo certo e do nada alguém mostrar que está tudo errado!”e eu só pude responder baixinho “não é legal mesmo.”
E quando eu virava as costas pra dormir eu ainda podia ouvir a respiração dele e ficava imaginando o que ele estava vendo na outra parede e enquanto isso eu também rezava pedindo que ele se encontrasse em mim. Nas minhas coisas perdidas, no meu numero de celular aos exatos meio dia e trinta e cinco.
Queria que ele me encontrasse de novo, que entendesse que seus defeitos eram coisas minhas que ficaram pra trás, e eu queria que ele entendesse que tudo que ele faz de errado lá no fundo eu faria tudo igual, só pra irritar ele um pouquinho, mas achava péssimo me deparar com tudo que deixei pra trás pra ser alguém melhor.Não era justo que ele jogasse pra cima de mim tudo de novo e foi  por isso eu gritei.
Mas eu gritei, e ele calou. Eu me calei e ele gritou.
E foi só.

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