segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fuga

"Ela tinha ímpeto de desaparecer, virar espuma, vento, soprar longe.
Se sentia culpada quando essa vontade tomava conta dos seus pensamentos,
sempre rodeada de sons, vozes, música, amor, superproteção que ela não pedia.
Tinha gana de desligar os telefones, o interfone, desligar-se.
Não era egoísmo puro e simples, era saudade dela.
Sentia falta de rir sozinha lendo seus livros, acender incenso tomando banho quente, andar pela casa com sua camiseta surrada, descalça, distraída, relaxada, ver seus filmes antigos tomando café forte, queria sua companhia de volta, não definitivamente (solidão nunca a seduziu), pois amava estar com os seus.
Gostava de ser acolhida, mimada, mas algumas vezes, um filme, um café, pés descalços, lhe bastava."
Renata Fagundes








Desculpe minha ausência, mas ando mesmo sem assunto.
Ando tão perdida em meus próprios pensamentos que tem hora que penso que estou sozinha, e quanto mais sozinha mais vontade de mim me dá.
Pena que meu fone de ouvido quebrou, de certa forma dava prazer cantar pra vizinha e não ouvir ela praguejar, e sentia minha alma livre, tranquila e ia assim... indo.
Hora indo, hora voltando...hora rindo, hora chorando.Dependia do tempo, do pensamento da solidão...a música só ajudava um pouco mais.

Um comentário:

ROSANGELA MARIA BARRENHA disse...

Fecho as torneiras da memória

Fecho também a tumultuosa torrente de vida
que poderia ter rompido o cerco das paredes
e feito explodir a argamassa de calcário e solidão

Fecho tudo e depois me fecho

Estou cansada
estou triste
estou só

[de Ivan Junqueira]

(NÃO É SÓ VC, VIU..)